Assim é este espaço.
A roda como casa.
Casa de si que transita pelo coletivo e se deixa afetar pelo outro.
Deslocando-se a si próprio.
Colocando-nos em movimento contínuo.
Confirmando autorias de processos em diferentes andamentos.
Assumidos como olhares espelhados em trocas com alguém.
Andamentos com pulsações variantes e variadas.
Estrangeiro.
Familiar.
A um só tempo!
Fronteira de linguagens múltiplas e diversas.
Deixando-se invadir pelo inimaginável do já partilhado em sensações ancestrais.
Do que é do sentir-se uno e único com o universo independente de crenças.
Provocando possibilidades de reintegração como existência.
Instáveis nas dimensões, por isso criativo.
Dilatação do belo que todos somos capazes de sentir a presença.
Como as escalas de som, cor ou emoções.
Trilha de explorar-se no imprevisto.
Alteridade em exercício.
Movimento dialógico.
Busca entre as relações de reflexo que ocorrem no contato.
Nos atritos, faíscas e fricções do que se afina e desafina no que o outro nos devolve em nós como sentido que transborda para fora de si.
Assim é a minha busca pelos aromas e mapeamentos vibracionais de sensações, sentimentos e perfis de personalidades. Mas não é algo cristalizado, é como uma grande ciranda que cada um propõe sua própria dança e também mostra como quer dançar junto com os outros.
Os aromas se deslocam e transitam em contatos entre si dentro de um grande caleidoscópio, através de combinações infinitas que transbordam pra fora do já conhecido, trazendo dimensões de territórios desconhecidos para circularmos no inusitado que já existia em nós.
São teias e fios que vão se desdobrando pelo caminho do labirinto de cada um de nós de maneira singular que se conecta com nosso lado artístico, potencialmente criador. A arte e a criatividade para além do universo profissional, o ser sensível que existe em todos nós.
Sem juízos da moralidade acomodada em nós como algo natural, esta é uma proposta de sairmos da nossa zona de conforto, de ir além da obviedade cultural: é uma travessia pelo universo ético e estético de cada um; potencializando saberes que se despertam pela imaginação.
"Villarroel
Villa y Roel
Rox
Casa
Lugar de descanso
Em círculo de poder
No dia que nasce uma criança - interior ou encarnada - a teia começa a seguir um fio que dá sentido a uma mãe - mulher ou homem, aquela pessoa que gera - e a todos com quem essa energia convive e provoca afetos. E, ao mesmo tempo liberta, porque nossas obras de arte são do mundo: não são fruto de relações de propriedade, estão em constante transformação. São afetadas por outros com quem também interagimos e provocamos sensações, sentimentos e impressões.
Afetividade como um fenômeno que ocorre nas relações e é um percurso autoral através de sentidos múltiplos. Compõem diversos significados do amor como algo que forma e se transforma em vetores - não de forças - mas de infinitas possibilidades em se reinventar, criando referências para colocar-se em mudança. Movimentos que moldam e restauram afetos como numa argila que pode ser qualquer coisa que sempre gostamos, mas ainda não inventamos: de forma ativa, propositiva e interventiva, mas , principalmente em diálogo, con-versando com o uni-verso poético que estabelecemos e estamos em relação, identificando potencialidades. Saindo da ideia de defeitos e qualidades ou de que transformação implica necessariamente aprovação social ou qualquer espécie de melhora ligada a uma ideia de merecimento ou desenvolvimento. Falamos de uma abordagem que não tente encaixar pessoas em rótulos ou fórmulas prontas. Substituindo o conceito de tratamento por cuidado mútuo. Onde a cura é, por consequência e não por medicalização, o próprio processo de criação.



